Rafael Martinelli: Presente!

Faleceu o grande brasileiro Rafael Martinelli, aos 95 anos. Rafael Martinelli foi um quadro crucial na luta sindical dos trabalhadores ferroviários. Ativo militante, foi preso e torturado pela ditadura militar, e sempre se portou com dignidade. No final da vida, já doente, continuava sendo um importante líder da luta pelo Socialismo, mantendo a mesma firmeza revolucionária com a qual participou da fundação da Ação Libertadora Nacional ao lado de Carlos Mariguella. Sabia Rafael que não demoraria a nos deixar, devido à idade e à doença que enfrentava, mas eu não podia aceitar a idéia de sua derradeira partida. Ele, que nunca abdicou em dar a sua palavra, em nos brindar com suas análises e nos incentivar a continuar a luta e levar a mensagem aos jovens. Rafael Martilnelli é o exemplo vivo de uma luta incessante. Nosso mestre se foi mas seu exemplo fica. Ao receber a notícia de sua morte, passou um filme me minha cabeça e fui relembrando essas últimas décadas em que convivi com ele na militância, seja nos inúmeros atos em que participamos juntos, por Memória, Verdade e Justiça, seja nas horas de gravação de seu depoimento para o Documentário “Tempo de Resistência”, seja recebendo os estudantes que participavam do Projeto Tempo de Resistência nas visitas ao Memorial da Resistência quando partilhava a História do Brasil e sua própria luta. Seus ensinamentos eram alento para todos nós e definitivamente ele foi muito importante para todos nós Revolucionários brasileiros. Chamava-me “menino”, e assim se dirigiu a mim na última vez que nos vimos, na casa do camarada Carlos Russo. Sua figura sempre me fez lembrar Moacyr Alves Paulino, ferroviário por 14 anos na Companhia Paulista de Estrada de Ferro, época em que adquiriu consciência política e meu avô Domingos Teixeira, comunista e ferroviário da mesma Companhia, onde foi um dos fundadores do Sindicato dos Trabalhadores da categoria. Martinelli se foi. Mas eu, menino de 69 anos ainda o vejo pilotando uma Composição Ferroviária com destino ao Socialismo e em busca do Homem Novo que Che Guevara idealizou.

Rafael MartinelliALN


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