A Canela Errada

Atualizado: Fev 10

Em uma noite de 1968, Ariovaldo José de Melo, o Melo, estudante de Direito, em Ribeirão Preto, eu da mesma escola e o casal Telma e Jackson, de Filosofia da USP, marcamos um ponto em um bar, às 23 horas.


O objetivo do encontro era nos reunirmos para preparar uma pichação em alguns locais da cidade, contra a ditadura militar.

Assim, munidos dos indispensáveis tubos de spray, passamos a discutir os detalhes da operação, tais como que locais que seriam alvo de nossa propaganda, as palavras de ordem a serem estampadas nas paredes, a segurança da operação e quem atuaria como motorista da ação.

Ao concluirmos as importantes decisões, Melo que já conhecia Telma e com ela havia tido um envolvimento amoroso, passou a tratá-la de “meu amor” e outros galanteios, desconhecendo o fato de que Telma e Jackson estavam casados.

Preocupado com o desfecho da conversa, desferi um chute na canela de Melo, que para minha surpresa atingiu a canela de Jackson.

Ele olhou e compreendeu toda a situação, mas preferiu nada comentar, certamente para não prejudicar a ação.

Já madrugada, mergulhamos no trabalho, estampando nossas palavras de ordem conta a ditadura. Melo, na segurança, com seu infalível cabo de aço, para nos proteger de policiais e prováveis agressores fascistas.

Quase amanhecendo, voltamos para casa com o dever cumprido.

Jackson com a canela um pouco inchada, por conta da minha má pontaria.

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