Erundina e o PSB


Em 1989, Luiza Erundina toma posse como prefeita de São Paulo.

Preocupada em fazer maioria na Câmara, ela solicitou ao PT que abrisse negociações com dois vereadores de direita, que se propunham a apoiá-la, a troco de cargos e vantagens políticas na administração.

Contatados por Erundina, os vereadores Ushitaro Kamia, do PFL, e Alberto Calvo, do PDS, se dispuseram a lhe dar sustentação política, desde que a eles fosse dispensado pela prefeita o mesmo tratamento político dado aos vereadores petistas.

A direção petista ponderou, no entanto, que não ficaria bem para o PT ter em seus quadros dois parlamentares de direita, que poderiam macular a imagem moralista que aquele partido apresentava à população.

Assim, a direção nacional do PT procurou a direção nacional do PSB, ficando acordado entre as duas agremiações que Kamia e Calvo mudariam de legenda, transferindo-se para o Partido Socialista Brasileiro, vestindo assim uma roupagem de esquerda e passando a integrar a base de apoio de Erundina, na Câmara Municipal de São Paulo.

Com tal finalidade, Roberto Amaral, então Secretário-Geral do PSB, vai a São Paulo e conduz as negociações com o PT, consumando a filiação dos dois vereadores.

Dessa forma, coube aos dois parlamentares uma administração regional e a funerária municipal, com a consequente nomeação dos cargos políticos existentes naquelas repartições.

Como presidente estadual do PSB, juntamente com a maioria dos militantes do estado de São Paulo, insurgi-me contra esse acordo, realizado entre os dois partidos.

Efetivado o entendimento, o PSB iniciou o processo de direitização em São Paulo, o que passou a ocorrer em todo o país.

Em nosso estado, pouco depois, a esquerda foi alijada da direção partidária, o que motivou minha saída e a de vários companheiros do PSB.

Evidenciava-se, assim, o modo petista de governar.


Leopoldo Paulino

Julho de 2020

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