Cuba 1989: “Un Camión de Pastillas”

Em 1989 estive em Cuba com uma delegação do PSB, à época um partido de esquerda, para visitar aquele país, a convite do governo cubano.

Estar em Cuba foi muito emocionante e naquelas duas semanas fiquei maravilhado com as conquistas da Revolução Cubana. Tenho muitas memórias sobre aquela viagem, o contato com o dia-a-dia daquelas pessoas, que transpiram valores da Revolução só reafirmou minha condição de militante comunista.

A programação da viagem foi bastante extensa, pudemos visitar importantes instituições. Os cubanos são um povo culto, alegre e muito receptivo. Sempre nos fazendo questão de apresentar sua cultura. Era muito comum terminarmos a agenda do dia em festividade, apreciando boa comida e bebida.

O Governo Cubano colocou dois veículos à nossa disposição, com dois motoristas dos quais fiquei muito amigo.

Fomos a uma recepção em um dos CDR(s) de La Habana, onde ganhei uma bandeira de Cuba da Presidente da entidade que arrancou a flâmula da janela de sua casa para me ofertar, (Esse momento foi lindo e merece uma história à parte aqui no Tumblr J )

Durante a recepção percebi que Julio, um de nossos motoristas não estava muito bem e indagando-lhe o motivo, o companheiro me disse que na véspera bebera um pouco a mais e estava com forte dor de cabeça.

Sabendo que naquele país não se vendiam remédios sem receita, (porque o povo tem acesso um sistema de saúde muito eficaz), levei alguns comprimidos de conhecido comprido, vendido sem receita no Brasil: Engov, usado para ressacas e exageros no álcool. (para caso me excedesse nas doses de rum cubano J )

De imediato, peguei dois comprimidos e lhe sugeri que os tomasse, pois logo estaria bem. Em princípio relutou muito, pois os cubanos não sofrem o bombardeio da indústria farmacêutica com seus comercias de remédios, e como os cubanos têm acesso gratuito a excelentes médicos, não praticam a automedicação. Por fim Julio cedeu a meus argumentos e tomou os comprimidos. Meia hora depois, Julio estava bem, sem dor de cabeça e não cansava de elogiar o medicamento que lhe dei.

À noite, em outra recepção à qual comparecemos, havia um rapaz que bebeu muito e começou a falar demais e se exaltou um pouco, pelo efeito do álcool. Julio se dirigiu a mim e sentenciou: “Leopoldo, ese necesita um camión de pastillas!!!!”.

No dia de nossa partida, os companheiros motoristas foram nos levar ao aeroporto “José Martí” e ao despedir-me presenteei Julio com meia dúzia dos comprimidos que me sobraram e ele não parava de me agradecer.

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